terça-feira, 8 de setembro de 2015

Tabu nosso de cada dia - Marcas eternas

*Este texto integrou o projeto "Tabuu - paradigmas da beleza", do qual fui Colunista e Editor de Conteúdo em seus quatro primeiros meses de existência.

Inseridas em nossa cultura há muito tempo as tatuagens ainda são motivo de repulsa por parte de muita gente. Boa parte da população certamente ainda acha que isso seja coisa de bandido, autoflagelação, más influências, rebeldia sem causa, fanatismo ou qualquer tipo de coisa nociva. Pessoas mais esclarecidas e com uma visão mais ampla de mundo sabem que nada disso é verdade. Claro que todos os motivos anteriores também levam muita gente a se tatuar. Mas isso não significa que o ato em si, de fazer uma tatuagem, seja ruim. 

O erro nesse caso é o mesmo de sempre: pré-julgamento e pré-conceito. As pessoas se tatuam por infindáveis razões. Pode ser por mero motivo estético, a vaidade neste caso fala mais alto. Tatuar-se seria então uma forma de deixar o corpo mais bonito. Eu concordo que muitas tatuagens são belíssimas e deixam muita gente linda. Mas é preciso ter cuidado para não usar como acessório algo que é definitivo. Sim, eu sei que existe a tecnologia necessária para a remoção de tatuagens, mas o processo é caro, muito dolorido, demorado e, por vezes, deixa cicatrizes e manchas na pele.

Outros marcam seu corpo com nomes e/ou referências a músicas, filmes, livros, equipes esportivas ou alguma coisa do qual gostem muito e que seja parte relevante em suas vidas. Acho válido, mas é preciso uma reflexão para ver até que ponto aquilo é realmente importante e quais as chances de mudarmos de ideia. As pessoas mudam com o tempo, e seus gostos também. Temos a parcela daqueles que fazem do desenho no corpo uma forma de homenagear pessoas importantes. Alguns o fazem com seus ídolos, outros com entes queridos, tais quais pais ou filhos, ou ainda como uma lembrança da pessoa amada. Do parceiro de relacionamento e de vida. 

Todos passamos por momentos marcantes na estrada da vida. Muitos têm que superar grandes barreiras e obstáculos quase intransponíveis. Fazer essa arte no corpo então, seria uma forma de marcar na pele aquilo que já está marcado na alma. É valorizar e tentar traduzir em símbolo o significado do que foi vivido. A religião é parte muito presente na história humana e ainda em nossa sociedade atual. Por conta disso, e por enorme devoção, muitos fiéis usam a tatuagem como forma de reafirmar sua fé. Não são raras as tatuagens com motivos religiosos.

As lições que aprendemos, os tombos que caímos e nas vezes que nos levantamos não saímos ilesos. Às vezes com muita maestria, em outras aos trancos e barrancos. Mas em um determinado ponto da vida o ser humano acaba “escolhendo” uma filosofia de vida, ele entende talvez a razão de sua existência. É o bendito dia que descobrimos porque nascemos. Se a pessoa for então adepta dessa prática ela vai acabar tatuando algo que represente, para ela, este aspecto.

E não esqueço de mencionar aquela gente obcecada, que tatua quase todo o corpo. Óbvio que cada um tem o direito de fazer o que bem entender com a própria pele. Eu não julgo. Mas tenho minha opinião formada sobre isso. Penso que umas boas semanas de terapia talvez resolveriam o que, eu, Mailsom, julgo como um distúrbio. Talvez de natureza social ou psicológica. Não sei. Mas, na minha concepção, é fora da realidade, loucura demais, maluquice além do que eu posso suportar. 

Acho um descabimento, por exemplo, alguém com o corpo tatuado em 90%. Além do que, é algo assustador. Porém, não mora nessa minha opinião motivo algum para discriminar ou tratar mal pessoas extremamente tatuadas. É vital sabermos conviver e aceitar o diferente, mesmo que não concordemos com isso. É preciso saber respeitar a decisão de cada um. As pessoas precisam aprender a diferença entre não concordar e discriminar. Este aspecto é urgente para formarmos uma sociedade mais sadia. 

Extremamente dotado de significado e permanentes, assim são as tatuagens. Eu mesmo não tenho nenhuma tatuagem, mas sempre saio em defesa de quem as têm. Mas como tudo na vida, é preciso usufruir sem exageros, com consciência e moderação. Se você não gosta dessa arte pense melhor antes de sair julgando e criticando os tatuados. E se você é um simpatizante que ainda não tem certeza de que quer se tatuar, esteja atento para o seguinte: Pense muito bem antes de decidir, analise os motivos que o levam a tomar essa decisão.

Na hora de se tatuar pense em você. Olhe para o eu interior. Decida tatuar-se pelos motivos que são importantes para você. E que esses motivos venham carregados de um significado com potencial de ser eterno. Se há algo que você vai lembrar e, muito provavelmente, vai considerar relevante até os últimos dias de sua vida bem, talvez esteja aí um motivo para se tatuar. Mas não banalize algo tão definitivo e tão significativo quanto essa arte. Afinal, tatuagens são marcas eternas.

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