sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Tabu nosso de cada dia - A beleza que os olhos não podem ver

*Este texto integrou o projeto "Tabuu - paradigmas da beleza", do qual fui Colunista e Editor de Conteúdo em seus quatro primeiros meses de existência.

O Tabuu é um projeto pautado pela busca da beleza. Mas não vivemos só de aparências. Quem acompanha nossas publicações já percebeu que este veículo não está dedicado a dar dicas de emagrecimento, falar das tendências em maquiagens, vestuário ou dos penteados mais badalados. Falar da aparência nos serve de pretexto para debater questões muito mais complexas e importantes, como saúde, autoestima, distúrbios psicológicos, racismo, valorização da mulher, legitimação da diversidade étnica e de biotipos, padrões sociais e a impostação deles, o modo como a mídia retrata as belezas e como isso nos influencia, como vemos a nós mesmos, e mais uma infinidade de temas que rodeiam as nossas discussões.

Nossa campanha de cards no Facebook vem mostrando inúmeros conceitos de beleza. Concebidos pela equipe do Tabuu, essas ideias nos provam o quanto é particular e distinta a ideia que cada um tem de beleza. O belo é efêmero e transitório, e, muitas vezes, determinado de forma ocasional, aleatória. É bizarro a gente pensar que existem padrões de beleza. Pois, se cada ser humano é único, não existem duas pessoas iguais em todo esse mundo. Até mesmo gêmeos demonstram diferenças, mesmo que, por vezes, um tanto quanto sutis. Então me provem que é correto existirem padrões em um universo onde não existem iguais? Me provem que é correto silenciar a singularidade e as peculiaridades de cada ser com suas imposições covardes de padrões de beleza, e modas das quais “você não pode deixar de seguir”.

Ao longo do processo de construção desse projeto aprendi muito. Trabalhar com esse tema abriu-me os olhos para aspectos antes obscuros. Atitudes que antes me pareciam inofensivas, costumes e hábitos sociais que sempre me soaram como parte do cotidiano, agora enxergo com temor e preocupação. Me debato ao tentar entender porque discriminam uma pessoa por sua aparência física, seja sua cor, a forma de seu corpo, ou qualquer outra característica que salte aos olhos. Fico perturbado ao ver atitudes covardes como o bullying, ou práticas desesperadas, como cirurgias plásticas, feitas como se não houvesse amanhã. Entendo a cultura do corpo, mas questiono a ansiedade pela aceitação.

Quem definiu que cabelo liso é mais bonito que o crespo ou o encaracolado? Porque que a pele branca é considerada mais bonita do que a negra? Quem sentenciou que o alto é mais belo que o baixo? Ou que o magro é mais aceito que o “encorpado”? Quem decretou que mulher deve ser extremamente vaidosa, ou que homem que se cuida é fresco? Com que direito afirmam que mulher que não gasta horas no salão, é desleixada? Afinal existe feio e bonito? Se existe, então porque os tais padrões, ditos as regras imutáveis, que parecem definidos por uma entidade superior, vivem mudando? Bem, você que se identificou com esse texto, e que pode sofrer com isso, talvez seja o culpado. Pois se esse é o nosso senso comum, ele só existe porque o aceitamos.

Quando se começa a questionar, quando se percebe que há algo de podre nessa cultura do “isso aqui é belo, mas aquilo ali não” a gente percebe o quanto é ridícula essa história de “padrão de beleza”. É importante buscar uma aparência bacana, um estilo que agrade, uma beleza que reflita nosso interior, um corpo saudável e bem cuidado. Mas não vale a pena sacrificar o que temos de especial, para se assemelhar a manequins de plástico que são, nada mais, que mercadorias a venda. Não ponha estereótipos na sua cabeça. Não se espelhe em imagens de modelos “photoshopadas”, que nem são reais. Se desprenda de modas e padrões. Busque sua própria beleza. Aceite seu próprio padrão. Você é o senhor de si mesmo e do seu próprio corpo. Não deixe ninguém escolher por você qual é seu ideal.

O maior ideal de beleza vive na capacidade de sermos únicos. Não há nada mais belo que a simplicidade de ser você mesmo. A vida é transitória e a beleza é uma metamorfose sempre incompleta. Somos quadros inacabados, pintados diariamente por nós mesmos. A inconstância do belo é o que o torna especial. Aprenda a se valorizar. Mostre para o mundo uma nova forma de beleza. A sua forma de beleza. Se permita enxergar além do que os olhos podem ver. Em cada um mora a capacidade de quebrar paradigmas. É só querer.

Grande abraço seus lindos!

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